A Terceira Dentição

Experiência sensitiva e emocional desagradável , a dor é um alerta de que algo está errado no organismo e que precisa ser sanado para a própria sobrevivência da espécie. Em tratamento de dor operatória, a grande questão é como controlar os efeitos intrínsecos aos traumas dos procedimentos cirúrgicos e que tipo de analgesia utilizar para sua minimização.

Controlar as dores trans e pós –operatória é um desafio para os cirurgiões -dentistas. Saber qual o medicamento e o momento exato para administrá-lo pode evitar sérias complicações e um pós – operatório mais tranqüilo, sem grandes alterações. No entanto, esse ainda é um tema bastante complexo na odontologia e requer conhecimento das técnicas de analgesia para atacar a dor em seus diversos aspectos: físico, emocional e cognitivo de cada paciente. Caso contrário os resultados poderão tornar o pós-operatório indesejável com conseqüências ao doente, que incluem a própria cronicidade da dor. Para falar sobre essa questão, a Implantnews organizou uma Mesa-Redonda, realizada no dia 17 de outubro, que teve entre os convidados os doutores José T.T. de Siqueira, especialista em Cirurgia e doutor em Farmacologia; Cynthia Savioli, especialista em Dor Orofacial; José Flávio Ribeiro Torezan, cirurgião Bucomaxilofacial; Sidney Rafael das Neves, especialista em cirurgia e traumatologia; e Luiz Antonio Gomes (também mediador do encontro), diretor responsável da revista Implantnews.



GOMES – As cirurgias de implantes são eletivas, o que significa que os pacientes, a princípio, estão muito bem. Dá –se um antiinflamatório pré-cirurgicamente e um analgésico pós – operatório. E no caso da bucomaxilofacial, que recebe pacientes acidentados, traumatizados, e não pode ter esse cuidado pré-operatório? Como é que vocês procedem com esses pacientes? Qual é o procedimento com relação a dor?

SIDNEY- Utilizando o protocolo básico no atendimento de emergências hospitalares, a medicação ministrada na internação do paciente acidentado é sempre por via endovenosa ou intramuscular, devido a rapidez de ação da droga por estas vias. A maioria das pessoas tem uma idéia errada do trauma, acreditando que toda fratura é tratada na hora. Quando temos um caso de fratura facial, por exemplo, o paciente tem que ser primeiro submetido aos exames pré –operatórios bioquímicos e de imagem, para avaliar a extensão do problema, até ficar em observação por outras especialidades (ex: neurocirurgia) e só depois é realizada a correção cirúrgica de fratura. Nesse período, o paciente é medicado com antiinflamatórios e analgésicos regulares, e no entanto, dificilmente ele reclama de dor intensa. Do aspecto dor, acho muito mais fácil lidar com pacientes hospitalizados, até pelo aspecto psicológico, porque ele estava ótimo até o momento do trauma, não estava sofrendo. É uma vantagem sobre o paciente do consultório, principalmente aqueles que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos em locais que o paciente já reclamava de dor crônica intensa. Este fator emocional anterior pesa muito, a ansiedade pré-operatoria também e todas as suas conseqüências.

GOMES – De qualquer forma sempre é uma preocupação em tentar, como o Siqueira estava falando, combater essa dor de imediato?

SIDNEY – Sim, a preocupação é em combater de imediato. Do ponto de vista clínico, a nossa experiência é não deixar exacerbar, crescer, porque depois de controlar é mais difícil, uma vez que o paciente vai ficando cada vez mais debilitado.

GOMES – Nas cirurgias de implante gasta se tempo para anestesiar o paciente. Tanto que o protocolo determina fazer o procedimento e uma sala e operar na outra, já paramentada. Faz-se a anestesia lenta, devagar, conversando com o paciente, buscando passar segurança a ele. Não só anestesia, mas como anestesiar, mas também é um fator importante?

SIDNEY – para controlar a ansiedade, costumo seguir o mesmo protocolo que o doutor J.J. Barros já utilizava há muito tempo, que era fazer o uso do ansiolítico praticamente para todos os pacientes. Os resultados são muito bons, mas vejo que alguns colegas relutam na indicação do ansiolítico talvez por não terem o habito de utilizarem este tipo de droga rotineiramente e temem uma complicação mais grave. Desta maneira, associam o uso deste medicamento somente a pacientes extremamente nervosos.

GOMES – O aluno da graduação geralmente considera que mais de dois tubetes de anestesia é um exagero. Aliás, eu já vi bons profissionais que um tubete é suficiente. Como é isso?

SIDNEY – Para complementar, o tipo de solução anestésica vem sofrendo mudanças significativas. Antigamente a lidocaína era utilizada em larga escala. Hoje já existe a articaína, um anestésico excepcional. No entanto, vejo maior resistência entre os alunos, que ainda portam aquelas caixas da graduação, em que normalmente faltam umas três ou quatro peças da dental, mais pela resistência de recém – formado do que pelo custo do material cirúrgico instrumental de boa qualidade. Não adianta conhecer todo um sistema desencadeador de dor se na pratica diária ainda há alunos com aquele vício em relação ao instrumental. Somando ao procedimento, esse detalhe, sem dúvida , faz diferença no final da cirurgia.






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