O Pré-Natal Odontológico



A gestante não estará saudável se não tiver uma boa saúde bucal

Um novo ser colocado no mundo desperta indescritível emoção, é claro, quer por todo o seu esplendor de vida nascente, quer pela sua beleza. No entanto, atrás deste sentimento e desta constatação do belo, quanto há por ser descoberto! Com relação à face e ao sorriso, são importantíssimos os primeiros meses e anos de vida, inclusive o período de formação intra-uterina.

O pré-natal odontológico consiste na assistência e no controle da saúde bucal da futura mamãe, no aconselhamento das manobras orientadoras e preventivas para a manutenção da saúde do bebê, com vistas à integridade dos dentes, equilíbrio da boca e harmonia da face. Isso significa que o contato da mãe com o dentista, para manter sua própria saúde bucal e para saber mais sobre a boca e os dentes do seu filho, deveria começar quando o bebê ainda está na sua barriga ou até mesmo antes da gravidez.

É bom lembrar que a saúde bucal do bebê vai depender da saúde bucal dos pais e de todo o conjunto familiar, aí incluídos a babá ou o cuidador. Por esse motivo, é imprescindível discorrer sobre a importância da realização do exame pré-natal odontológico.

As alterações hormonais que ocorrem na gravidez podem aumentar os sinais de uma inflamação já existente na gengiva. Assim se, no início da gravidez, a gengiva estiver sadia e os dentes mantidos bem higienizados, a atividade hormonal simplesmente não altera o estado gengival, que permanece íntegro.

A gestante não estará saudável se não tiver uma boa saúde bucal. E o mais preocupante é que as infecções bucais podem interferir na gravidez. A ação das bactérias provoca a inflamação da gengiva e também do periodonto, liberando na corrente sangüínea toxinas que podem alcançar a placenta e estimular a produção de citocinas e prostaglandinas.


O Parto Prematuro

O parto prematuro é um sério problema que apresenta altos índices de mortalidade neonatal e seqüelas a longo prazo. Vários estudos demonstram uma forte associação entre infecção e parto prematuro de bebês com baixo peso.

A associação entre a doença periodontal e o parto prematuro de bebês, com baixo peso, é que as infecções periodontais são um reservatório de organismos anaeróbios, de endotoxinas e de mediadores inflamatórios que podem constituir uma ameaça à unidade feto-placenta e influenciar na gravidez.

Assim, é importante que a grávida faça um acompanhamento, o pré-natal odontológico, para prevenir e tratar desvios de saúde bucal que podem afetar a qualidade de vida tanto dela, quanto do seu filho.

Com relação à cárie, se a gestante for portadora dessa doença, mais propensão terá o bebê ficará de desenvolvê-la, porque poderá adquiri-la pelo contágio materno. Da mesma forma que a mãe transfere carinho, nutrientes e defesa imunológica para o bebê na amamentação, também bactérias da boca da mãe são transmitidas para ele. Eis, portanto, mais uma razão pela qual não se deve descuidar da saúde da boca durante a gravidez.

Os cuidados, naturalmente, devem se estender e continuar após o nascimento do filho e por toda a vida. Os bons hábitos de higiene bucal também são transmissíveis. A criança imita a conduta dos pais, por isso o bom exemplo conta muito para sensibilizar a criança e motivá-la para automatizar, sem traumas, o hábito de higienização da boca.


A Gestante no Dentista - Cuidados Preventivos

Na fase que antecede o nascimento do filho, tanto em benefício do bebê, como deles próprios, os pais precisam dedicar muita atenção à saúde bucal, buscando orientação a respeito do estado dos seus dentes e gengivas, mantendo a boca toda cuidada, sem incidência de cárie e de doença gengival, problemas esses que podem ser transmitidos ao bebê, através da saliva, do beijo ou de condutas erradas, como a de assoprar ou de experimentar o alimento da criança na colher.

A gestante precisa de mais atenção odontológica durante o decorrer da gravidez, dentro de um contexto preventivo, quando um acompanhamento mais freqüente se faz necessário. Assim, se a mulher mantém uma alimentação balanceada e saudável, sem exagerar nos açúcares, fazendo sempre uma boa escovação e limpezas profissionais, quando visita regularmente o dentista, é bastante provável que não ocorram problemas com a sua boca.

Além da mãe, o pai também deve manter a saúde bucal, pois a proliferação de microorganismos pode contaminar o bebê com a doença cárie, que é uma doença infecto-contagiosa, portanto transmissível, sendo a saliva o seu principal veículo transmissor.

No entanto, o que se costuma presenciar é uma realidade bem diversa. Mesmo sendo divulgada a grande importância dos procedimentos de prevenção para o desenvolvimento da criança, ainda são poucas as gestantes que costumam visitar o dentista para aconselhamentos e orientação quanto à própria saúde e a respeito dos cuidados que deverão ser dedicados ao seu futuro bebê, desde a fase de recém-nascido.

O alento é que está havendo gradativamente uma modificação nesse estado de coisas. Felizmente, é inegável, temos sentido um aumento do interesse e um crescimento paulatino da procura por parte de gestantes pelo acompanhamento odontológico, buscando adequar sua boca e manter a saúde bucal, nesta fase decisiva que é a de preparo para a chegada do bebê.

Nos dias atuais, em que o conceito de estética está em alta, incluindo um sorriso alvo, brilhante e atraente, convém lembrar que nada é mais bonito que uma boca saudável, livre da doença cárie e da doença gengival. Manter saúde bucal com gengivas e dentes íntegros, preservando a perfeição e beleza que foram concebidas pela natureza, é quase sempre possível e está ao alcance de todos.




*Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo – é Odontopediatra e
Mestre e Doutora em Odontologia.
Escreve quinzenalmente no caderno Corpo & Vida,
do Jornal Opinião da cidade de Araras.]


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